Conselho Directivo da Comunidade Local dos Baldios de Rebordinho e Malhadouro, na freguesia de Campia, Vouzela, está a fazer e a distribuir armadilhas para capturar vespas velutinas (vulgarmente conhecidas por vespas asiáticas). A ideia, que já era antiga, avançou depois de um ano em que houve “um grande ataque a colmeias e à fruta”, conforme explica o presidente do organismo, Carlos Batista.


O objectivo passa por entregar uma ou duas armadilhas por casa, conta o responsável, acrescentando que metade da aldeia já está contemplada, incluindo o jardim-de-infância, e que os trabalhos serão retomados na próxima semana. Depois dessa primeira fase e de comprovada a eficácia das armadilhas, serão distribuídos novos iscos e a receita pelos moradores, de modo a que sejam envolvidos nos diversos processos.

Carlos Batista acredita que, desta forma, vai ser possível “sensibilizar as pessoas para o problema e como o controlar, de modo a que possam continuar”.
Outro objectivo passa por levar “as populações vizinhas e outras entidades a seguirem a aquilo que achamos ser um bom exemplo”.

As armadilhas, que não representam uma despesa muito elevada, estão a ser feitas com
um atractivo com 2 a 2,5 litros de água, um quilo de açúcar e 50 a 60 gramas de fermento padeiro, distribuído por garrafas e garrafões de plástico.

“Não nos vamos ver livres da vespa asiática, mas podemos controlar. E por cada vespa fundadora que as pessoas apanharem, é menos um ninho. Se não fizer-mos nada ainda vai ser pior”, alerta, mostrando a disponibilidade dos compartes para ajudar a replicar a ideia nas aldeias vizinhas.

A iniciativa conta com o apoio do veterinário municipal, João Caseiro, que deixa alguns conselhos técnicos. Por um lado, o responsável nota que as armadilhas devem ser selectivas e apostar na eficácia. Assim, é importante que sejam colocadas até final de Maio/ início de Junho, que é quando estão a eclodir as fundadoras, que vão dar origem a novos ninhos; e novamente a partir de Outubro e até Janeiro/Fevereiro.

João Caseiro alerta ainda para a importância de renovar, a cada semana, o isco das armadilhas. O mesmo pode ser feito com um pouco de sangria comercial; água, açúcar e fermento de padeiro; ou água, açúcar ou groselha e cerveja preta ou vinho branco. “A presença do álcool vai impedir que sejam atractivas para as abelhas”, explica o responsável, realçando que se deve “apanhar o que é essencial, sem prejudicar a fauna autóctone”. No ano passado, foram destruídos cerca de 600 ninhos de vespa asiática no concelho de Vouzela.