Num contexto onde a multifuncionalidade é uma ferramenta preponderante, os aproveitamentos e áreas de atividade – quer sejam económicas, recreativas ou ao nível da exploração florestal – que podem ser desenvolvidos nas propriedades comunitárias (os designados baldios) são inúmeros.

Há muito que foi abandonada a ideia de que se trata de terrenos apenas dedicados às plantações florestais ou ao setor agropecuário. Tratando-se de um motor fundamental para o desenvolvimento socioeconómico local, a qualidade de vida das populações rurais e dos compartes é proporcional à diversidade destes benefícios e à sua rentabilidade. Tendo sempre por base o escrutínio da comunidade, a aplicação destes recursos deve ser feita de forma criteriosa.

No caso do Conselho Diretivo dos Baldios de Rebordinho e Malhadouro, as primeiras preocupações foram materiais, com o intuito de promover a relação que as pessoas têm com a agricultura familiar e de combater a desertificação do território. O alargamento e arranjo de caminhos, a preocupação com a resiliência face aos fogos, o investimento na floresta e a diversificação das fontes de receita estiveram também entre as concretizações que mereceram o aval da população, com destaque para a construção da sede, uma obra muito sentida e que veio reforçar o sentimento de pertença.

Mais recentemente, assistimos à promoção de outras atividades, nomeadamente para dar resposta à necessidade de preservar e divulgar o património imaterial das aldeias e de manter vivas as tradições e a memória das suas gentes.